• bjdemiranda

Filtro afetivo: o que é e como superar



O filtro afetivo, ou affective filter em inglês, é um termo cunhado pelo linguista Stephen Krashen na década de 70 e trata-se de um filtro psicológico, invisível, que pode ajudar ou impedir a aquisição de uma segunda língua por um aluno. Quando o filtro afetivo é alto, a aprendizagem do aluno é obstruída e caracterizada por sentimentos de ansiedade, estresse e vergonha. Por outro lado, quando o aluno se sente confortável ao falar na sala de aula, não tem vergonha de cometer erros, e acha-se descontraído o suficiente para se arriscar, o filtro afetivo é baixo.

Criar um filtro afetivo baixo é o trabalho do professor, que deve estabelecer um ambiente que conduz à aprendizagem natural da língua e deixa os alunos sentirem-se à vontade para falar. Há muitas coisas que os professores podem fazer para que seus alunos fiquem descontraídos dento da sala de aula; por exemplo, o professor pode relatar suas experiências pessoas e falhas ao aprender uma segunda língua, o professor deve deixar bem claro para seus alunos que cometer erros é normal e faz parte do processo de aprendizagem da língua, e finalmente, o professor não deve corrigir cada erro cometido pelos seus alunos. 


Eu pessoalmente como professor gosto de compartilhar minhas experiências com o português desde que eu me mudei para o Brasil. Eu deixo bem claro para meus alunos que mesmo depois de mais seis anos morando aqui e falando português diariamente, ainda cometo muitos erros (principalmente em relação à concordância de gênero, a maior dificuldade para os gringos anglófonos!), ainda tenho dificuldade com a pronúncia de certas palavras (ainda bem que inconstitucionalissimamente não é uma palavra que preciso usar), e ainda não perdi meu maldito sotaque de gringo! 


Também tento achar o equilíbrio entre corrigir demais os erros cometidos por meus alunos e não corrigir nenhum erro. Quando comecei a aprender português aqui no Brasil passei pelos dois extremos. Já passei vergonha ao aprender, depois muito tempo, que estava pronunciando uma palavra erroneamente. E, no outro extremo, já me senti muito frustrado quando pedi para a pessoa com quem eu estava falando para corrigir meus erros e não consegui soltar nenhuma frase inteira, pois ela ficava corrigindo todos os meus erros de pronúncia, até os mais insignificantes. 


Até agora só falei do que o professor pode fazer para diminuir o filtro afetivo nos seus alunos, mas o que é que você, como aluno, pode fazer para diminuir o filtro afetivo? O primeiro conselho é buscar um professor ou uma escola de inglês que crie um ambiente que o deixe confortável, com vontade de falar inglês, e sem vergonha de cometer erros.


De resto você é que tem que ter atitudes e pensamentos visados a baixar seu filtro afetivo. Lembre-se que não tem motivo para ficar com vergonha de falar com sotaque e errar na pronúncia de palavras, ambos são completamente normais e fazem parte do processo de aprendizagem. Lembre-se que ao aprender inglês já está um passo a frente da grande maioria das pessoas, que nem sequer fala uma segunda língua. Lembre-se que é você quem vai determinar o quanto você curte o processo de sua aprendizagem (obs. aprender inglês pode e deve ser algo divertido!). E, acima de tudo, aprenda a rir de si mesmo pois querendo ou não você vai cometer erros e a forma com a qual lidamos com os nossos erros determina nosso sucesso. 


Quando eu era criança, gostava de assistir um desenho animado, chamado The Magic School Bus, O ônibus escolar mágico. Era sobre uma turma que aprendia várias lições de ciências fazendo passeios dentro de um ônibus mágico da professora, Senhora Frizzle. Eu gostava muito desse desenho e acho que as palavras preferidas da Senhora Frizzle são muito válidas para quem está aprendendo inglês e deseja diminuir seu filtro afetivo:


"Take chances, make mistakes, get messy!"


> Assista o vídeo sobre o tema: